As primeiras descrições datam da época das guerras napoleônicas, quando o Duque de Württemberg em Stuttgart observou a primeira epidemia de mortes ocasionadas pela ingestão de comida contaminada.
Foi a partir de uma lata de salsichas envenenada que a descoberta de uma proteína conhecida hoje como toxina botulínica foi possível.
Entre 1802 e 1822 muitas descrições de casos foram feitas. Os sintomas incluíam distúrbios gastrointestinais, visão dupla, midríase (dilatação da pupila).
As donas de casa foram inicialmente reponsabilizadas, por não ferverem a salsicha por tempo suficiente.
Um oficial alemão, médico e poeta, Justinius Kerner, descreveu uma série com 76 pacientes.
Em 1821 iniciou suas pesquisas, observando os efeitos em animais e em si mesmo.
“The nerve conduction is brought by the toxin into a condition in which
its influence on the chemical process of life is interrupted. The capacity of nerve conduction
is interrupted by the toxin in the same way as in an electrical conductor by rust.” - escreveu Kerner.
Deduziu que a toxina agia fazendo uma interrupcão da transmissão de sinal entre os sistemas nervoso periférico e entre os sistemas simpático e parassimpático.
Nesta época, já desenvolveu a idéia de seu uso terapêutico. Conseguiu isolar quantidade suficiente para testar em animais. Os efeitos observados eram vômitos, espasmos intestinais, midríase, ptose, disfagia e insuficiência respiratória.
Mesmo sem identificar a bactéria, o que aconteceria em 1895, na Bélgica, relacionou que a prevenção desse grave distúrbio seria ferver os alimentos.
Kerner imaginou diversas aplicações terapêuticas, principalmente nos distúrbios relacionados à hiperatividade do sistema nervoso simpático, que seria a causa de muitas doenças internas, neurológicas e psiquiátricas.
A identificação da bactéria e da toxina que causava a contaminação de salsicha levou à descoberta do Botulismo. Inicialmente chamada de Bacillus botulinus, foi então nomeada de Clostridium botulinum. (Botullus = Salsicha)
No início dos anos 1920, na Califórnia, foi isolada e purificada em forma estável.
Na Segunda Guerra Mundial, Stanley Lovel, um oficial do Serviço de Estratégia Americano, mandou fabricar cápsulas gelatinosas com a toxina, para que os altos oficiais japoneses fossem envenenados pelas prostitutas chinesas.
Em 1946 foi iniciada sua produção em grande escala como arma biológica.
Em 1969 os Estados Unidos declararam que iriam destruir seus estoques. Três anos depois, 100 países assinam o Biological and Toxins Weapons Convention Treaty.
Hoje a toxina é usada em diferentes condições clínicas, entre elas espasticidade, cefaléia, dor crônica de diversas naturezas, distúrbios urinários, tendinite, joanete e até para amenizar rugas.
Existem diversas marcas de toxina no mercado atualmente. O mais importante é a indicação correta para seu uso, seja para fins terapêuticos ou estéticos.
Só um médico habilitado pode aplicar a toxina.
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| Pontos usados na face. |
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| Referência ao uso cosmético: ponto de Nefertite |








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